quinta-feira, 31 de março de 2011

Foco no gerenciamento da instituição e não no pastoreio de pessoas

      Written by Ronaldo Lidório
A influencia da auto-ajuda para finalidades gerenciais da vida crista, ministérios e igrejas, tem promovido uma perigosa associação da igreja local com o modelo empresarial. Uma crescente ênfase tem sido dada na organização de igrejas a partir do bom gerenciamento de pessoas/estrutura/finanças, perdendo o foco da Palavra, oração, adoração, comunhão e evangelismo e enfatizando puramente a estrutura que promova o bem estar e o entretenimento.
Há uma clara diferença entre um chefe, um gerente e um pastor. Enquanto o primeiro faz uma instituição trabalhar para si, e ao seu redor, o segundo faz a instituição trabalhar para si mesma, sua valorização e destaque enquanto instituição-empresa perante outras. Porém um pastor leva a igreja a Deus, desejar Deus, aprender a Palavra de Deus, viver para a glória de Deus. O foco do pastor, em seu ministério, não é a própria igreja, seus resultados visíveis, sua estrutura e sucesso comparados a outras igrejas, mas sim a consciência de que, como pastor, leva o rebanho a servir ao Senhor Jesus. Aqueles que visam a igreja, seu sucesso e destaque, como motivação ministerial podem conquistar excelência gerencial mas serão inaptos como pastores.
Tenho conhecido e observado algumas igrejas bem gerenciadas na América do Norte, porém imaturas e inconstantes. O bom gerenciamento provê a estrutura logística e física que citamos no ponto anterior, desenvolve uma administração ministerial que possibilita o líder coordenar de forma mais prática cada atividade da igreja e por fim trabalha efetivamente com planejamento e metas. Nada seria preocupante se o gerenciamento, em sim, não estivesse sendo encarado, e ensinado, como sendo o fator determinante do nascimento e crescimento de uma igreja local. Um dos líderes norte americanos de uma forte denominação nacional enfatizou que, a despeito da pregação da Palavra, os fatores gerenciais irão determinar o sucesso do plantio de uma igreja local. Uma afirmação das mais preocupantes.
Este engano por vezes influencia a muitos por um longo período devido a maneira como nós avaliamos uma igreja local. Em uma cultura pos-moderna, globalizada e pragmática uma igreja local, bem como um ministério, é avaliado de acordo com o sucesso humano que pode ser observado, tocado e contabilizado.
Nós nos esquecemos de que o desejo de Cristo é ter uma Igreja que o conheça e o siga. E para isto os elementos essenciais para o nascimento de uma igreja local não podem ser definidos a partir do mercado, do consumo, do sucesso quantitativo e projeção no meio mas sim pela maturidade cristã entre o povo, pelo amor à Palavra, por seguirem a Cristo. Certa vez visitei uma igreja no sudeste do Brasil a fim de participar de uma conferencia missionária. Enquanto seu líder me apresentava a sua estrutura física e planejamento de metas entrei em uma sala onde parte da liderança da igreja estava reunida tratando de assuntos pendentes do dia a dia da mesma. Observando um pouco pude perceber o quanto estavam desligados da Palavra de Deus e imaturos nos relacionamentos interpessoais. Ironias e carnalidade eram visíveis na conversa da liderança. Pensei que aquela igreja estava sendo avaliada por Deus mais pela maturidade de seus membros do que pela sua estrutura física e organizacional.
O gerenciamento de um projeto de igreja pode solucionar muitos problemas socio-humanos e contribuir para o desenvolvimento de hábitos pro-ativos. Porém apenas o estudo da Palavra amadurece o povo e o faz se parecer mais com Jesus.
Há 5 dinâmicas cristãs ao redor das quais a igreja deve orbitar: a comunhão entre os irmãos, a oração individual e como grupo, a adoração cúltica a Deus, o estudo da Palavra e a evangelização. Se nos concentrarmos nestas dinâmicas teremos assegurado estar plantando uma igreja-igreja e não uma igreja-empresa.

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