terça-feira, 21 de junho de 2011

“No Caminho”

Um dos grandes problemas em se pregar e viver o Evangelho nos dias atuais não é porque as pessoas não crêem em Deus, mas simplesmente o fato de que o “deus” que se crê e com quem se vive não é o Deus da Bíblia: absoluto, soberano e real. Creio que a estratégia maligna que predomina nos dias hodiernos consiste em desviar as pessoas do Deus da Palavra, ao se relativizar o conceito de Deus, de forma que qualquer pessoa possa crer no seu próprio “deus”. Tal estratégia se manifesta através de uma ideologia humanista que é tão forte, que possibilita aos homens que eles vivam até mesmo dentro de uma igreja, porém sem conhecer o Deus da Palavra.
Em diversas passagens nas Escrituras, Deus demonstra o seu caráter absoluto. Ao enviar Moisés para libertar os hebreus do Egito e perguntado por ele o que deveria dizer quando fosse questionado pelos hebreus quem o tinha enviado, disse o Senhor: “E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Ex 3:14). Em outra passagem disse o Senhor através de Moisés: “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão”. (Dt 32:39). Finalmente, Jesus ao ser questionado por Tomé acerca do caminho, respondeu: Disse-lhe Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14:6).
O caráter absoluto de Deus, portanto, está claro nas Escrituras. No entanto, constantemente se percebe, inclusive no meio cristão, que os homens parecem se relacionar com Deus como um igual, que está ao dispor dos homens para que a vontade destes seja feita. Trata-se de um terrível engano. Aquele que acha que a porta estreita e o apertado caminho que leva à salvação (Mt 7:14) será “alargado” para que se possa passar por eles com as vontades e desejos próprios, na verdade nunca se deparou com o Caminho. Na verdade está caminhando para a própria destruição (Mt 7:13). Não é à toa que Jesus disse que poucos são os que encontram o caminho que leva à vida.
O Caminho de Cristo é bastante claro, de acordo com as Escrituras: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. (Lc 14: 26-27). A cruz consiste em renúncia pessoal, em esvaziamento. O convite de Cristo é para que participemos de seu sofrimento e isso acontece quando aborrecemos a nossa própria vida, fazendo morrer em nós as nossas vontades, de forma que Cristo possa viver em nós (Gl 2:20). Continuar a crer em um deus que está à nossa disposição e que irá abençoando o caminho que nós escolhemos para nossa própria vida faz parte da estratégia maligna que nos faz caminhar para a perdição. Ou o caminho é o próprio Jesus, ou se caminha para a destruição, afinal Ele mesmo disse que é o único caminho.
Quando se quer viajar para um determinado local e não se conhece o caminho para se chegar ao destino, se busca uma pessoa que conheça melhor o caminho, se utiliza GPS e se fica atento às placas de sinalização. Da mesma forma, para caminhar no Caminho, deve-se procurar alguém que conheça melhor o Caminho e esteja disposto a ir comigo até o destino (isso é o discipulado); utilizar o GPS (aprofundamento na Palavra, representado pela constância em Escolas Bíblicas Dominicais, por exemplo) e ficar atento à sinalização (ouvir exortação, repreensão, quando trilhar o caminho errado). No entanto, muitas pessoas ou não estão dispostas a trilhar o Caminho, pois não querem “se aborrecer” de suas próprias vidas ou querem trilhar o Caminho sozinhas, que é o grande risco de se perderem e caminharem para a perdição, para a destruição.
Enquanto se quiser caminhar com Cristo, porém sem abrir mão da própria vida, o caminho que se está trilhando não é o Caminho para a salvação. Não se trata de uma proposta distante, irreal, mas de uma nova proposta de vida, na qual a vida é totalmente voltada para Deus, afinal dele e por ele, e para ele, são todas as coisas, a glória, pois, a ele eternamente. Amém.

No amor de Jesus.
 
Márcio.